
Iê iê iê uma palavra que não está no dicionário, mas todo mundo sabe o que significa. É o apelido brasileiro dado ao rock que se fazia nos anos 60. Era ingênuo na contestação e romântico por natureza. E mesmo assim, atingiu o nível de revolução cultural dando voz à juventude da época e instigando mudanças de comportamento. Esse tsunami histórico impôs a trilha sonora da infância de Arnaldo Antunes, que arquivou nos porões do seu imaginário a magia do som dos Beatles e da jovem guarda.
A expressão, que já havia sido citada pelos Beatles em She Loves You (yeah yeah yeah) e por Serge Gainsbourg em Chez Les Ye Ye Ye, ficou associada, no Brasil, a Jovem Guarda de Roberto e Erasmo. Mas também a de Odair José, dos Beat Boys, do Del Rey, de Frank Jorge e, sim, a dos Titãs que fazem parte de “Iê Iê Iê”, o novo álbum e show de Arnaldo Antunes, que teve apresentação única na boate Vegas, na noite de ontem (18).
Mesmo sem conhecer as novas músicas foi fácil para o público se deixar embalar pelas canções do show. Uma sonoridade que também remete aos amantes da cultura pop revisitarem suas memórias. As canções contagiam pelo ritmo e apelo direto. O cenário do show, assinado pelo estilista Marcelo Sommer, com um mosaico de camisetas penduradas com várias estampas – como Pelé, Che Guevara, Mickey e Coca-Cola – só ajuda o clima a ficar mais pop.
As canções são facilmente assobiáveis como a bem-humorada “Envelhecer” ou “Luz Acesa”, que possui um sabor “Sonífera Ilha”. Além das novas, ele ainda tocou “Socorro”, “Consumado” e “Essa mulher”. Luiz Melodia e Odair José foram homenageados com versões e “Vou festejar” ganhou uma roupagem iê iê iê.
As lembranças soam contemporâneas graças à sonoridade, que vem com certificado de qualidade, encontrada pelos amigos da banda, o gol de placa da feliz inspiração das parcerias e, é claro, das sacadas geniais que Arnaldo Antunes tem.
perdi, que ódio!!
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